O meu primeiro review de um jogo foi motivado por uma experiência muito diferenciada da que já tive com qualquer jogo que tive o gosto de jogar, proporcionada por um jogo indie da empresa Ninja Theory chamado Hellblade Senua's Sacrifice. O meu relato aqui é pessoal e pode ser bem diferente do que foi vivido por outros jogadores, portanto não fiquem muito putos e tal.
O meu interesse pelo jogo surgiu por dois motivos: ter referência à mitologia nórdica, pois eu estava querendo um jogo que fizesse referência a essa mitologia, e pelo fato de o jogo mostrar muito a perspectiva da personagem, que possui uma doença mental (psicose). Achei curioso essa proposta, bem audaciosa vindo de um jogo indie, agravado pelo fato desse jogo já prometer trazer um ótimo gráfico.
É o tipo de jogo que você inicia em uma situação, sem nenhum contexto da história e precisa seguir para descobrir o real motivo de você estar ali e o que tem de ser feito. Senua inicia o jogo em uma floresta escura em direção ao Hel (terra dos mortos), onde ela busca por Dilion, aparentemente seu namorado que morreu. Logo no início o jogo nos mostra que Senua possui medo da "escuridão", e que em sua cabeça a morte de Dilion está relacionada com ela. Inicialmente fiquei confusa sobre o que seria essa escuridão, ao longo do jogo consegui entender do que se tratava e como isso estava ligado a falta de confiança dela em si mesma.
É enfatizado que a personagem sofre do transtorno mental de psicose e durante o jogo você percebe os vários efeitos que essa doença acometeram em sua vida e as relações desta doença com toda a trama apresentada no jogo. Para quem gosta de ficar imerso totalmente no jogo, pode ser uma experiência assustadora, pois a ambientação das situações agonizantes e aterrorizantes foram desenvolvidas de forma excelente.
História
A história é bem construída mas não é explícita, e você vai entendendo ela conforme vai seguindo no jogo, onde é apresentado a vários episódios do passado de Senua e fazendo ligações com o que ela vive no presente. Durante o progresso você entende o medo dela pela escuridão, porque Dilion morreu e a fez ficar tão perturbada com este fato, o motivo das aparições da figura da mãe como alguém que sofre e do pai como alguém "malvado" em vários momentos do jogo.
Jogabilidade
Pra começar aqui, devo mencionar o sistema de morte permanente do jogo. Após sua primeira derrota aparece uma cinemática que te mostra que a cada morte a escuridão dentro de Senua cresce e que há um limite, quando o limite for atingido (incrementado a cada fracasso de Senua), acabou, é fim de jogo e você tem de iniciar um novo.
Achei a jogabilidade do primeiro terço do jogo muito monótona, pensei até em desistir. Isso foi causado pelos combates iniciais serem fracos (reforçado por eu não saber o que estava fazendo nos primeiros combates) e os puzzles serem extremamente repetitivos. Mas após esse trecho inicial parece até outro jogo, é ali que você se coloca realmente na realidade dela e as coisas começam a ficarem interessantes. Há momentos em que você é colocado para ser guiado apenas pelo som que você escuta, isso totalmente dentro do contexto do jogo e fica incrível.
O ponto fraco do jogo é o combate confuso para jogadores menos experientes nesse quesito, segue um grito de aleluia depois de eu enfrentar 700 inimigos e sobreviver (milésima tentativa):
Uma das principais críticas desse jogo é que ele é mal otimizado para PC, principalmente em hardware AMD. Muitas partes cheias de efeitos que meu hardware rodou liso (em live) e algumas sem nada de mais, travando pra caramba. Também li que havia um bug que, devido ao mecanismo de salvamento automático, impedia o jogador de continuar se ele retornasse em um dos checkpoints que ele já havia passado (eu não sei qual em específico). Não sei se consertaram esse, mas a má otimização ainda continua.
Conclusão
O jogo vale muito o investimento (ainda mais se você pegar uma promoção como eu), e proporciona uma experiencia totalmente nova, então eu dou meu 👍
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